Descobertas por Sari Fontana

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Esmaltes de unha podem ser tóxicos - parte 1

Qual é a forma correta de descartar esmaltes? Existe recomendação oficial? O que dizem os fabricantes (Risqué, Colorama/L'Oréal, Impala)? De quem é a (i)responsabilidade?

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Sarita Fontana
fev 20, 2026
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O assunto de hoje entra na categoria variedades desta newsletter: vamos falar sobre o potencial tóxico dos esmaltes de unha para o meio ambiente. Resolvi trazer esse tema aqui porque tenho leitores interessantes com quem levo ótimas conversas que vão além de alimentação e estilo de vida. O assunto é sério, mas não parece preocupar a maioria das pessoas — veja as respostas que recebi quando perguntei sobre o descarte dessas substâncias.

Pesquisa realizada no Instagram @lowcarbinspira

Uma das coisas que mais me impactou na Escandinávia foi a seriedade da gestão de resíduos ambientais. Reciclagem é prioridade, a ponto de os vizinhos vigiarem se a coleta seletiva está sendo feita corretamente. Tivemos a oportunidade de presenciar isso no apartamento em que nos hospedamos em Copenhague, recebendo instruções pela sacada de um casal (não muito) simpático que atuava, literalmente, como fiscal do lixo alheio. Lá isso não é visto como intromissão, e sim como a manifestação de bom senso coletivo, afinal, o lixo de um impacta a qualidade de vida de todos, especialmente quando o resíduo é considerado tóxico.

Em quantas categorias você classifica o lixo da sua casa?

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Eu ficava tensa sempre que precisava descer com o lixo, porque eram 8 tipos diferentes para descartar em compartimentos exclusivos, cada um com suas regras. Na Dinamarca, a separação correta não é apenas cultural, é também lei, com punição a quem a descumpre. Como não queria errar, resolvi estudar o assunto — mais por medo de ouvir um xingamento em dinamarquês do que de ser multada em até 3.000 DKK (2.500 BRL), segundo minha pesquisa. Na verdade, eu queria aprender a fazer o certo com quem sabe (e faz isso) melhor do que nós.

Eu só não imaginava que esse interesse me faria mergulhar num assunto perturbador: o perigo dos esmaltes para o meio ambiente e para a saúde. E se você não pinta as unhas, não pense que não está sendo afetado. Trata-se de um problema coletivo, gigantesco e negligenciado.

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Quantos esmaltes você compra por ano?

O Brasil é o segundo maior mercado de esmaltes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Embora haja variações nos números divulgados publicamente, considerando o tamanho da população, a frequência de consumo e os dados disponíveis, é razoável estimar que são vendidos cerca de 450 milhões de unidades por ano no país, o suficiente para encher centenas de piscinas olímpicas com resíduos tóxicos. É muito lixo!

Quanto mais eu pesquiso, mais percebo que pouco se fala sobre isso, mas uma vez consciente é impossível “desver” — ao menos foi assim pra mim, e espero que você possa refletir também, porque fingir que o problema não existe não faz ele desaparecer.

Espero que estas publicações1 contribuam para que possamos debater o tema, não apenas entre consumidores, mas também com os fabricantes dos produtos, manicures, drogarias, influenciadores de beleza e, por que não, gestores urbanos. Sei que temos inúmeros problemas para endereçar no Brasil, mas já passou da hora de lidarmos melhor com esses contaminantes.

Qual é a forma correta de descartar esmaltes? Existe uma recomendação oficial? O que dizem os fabricantes, os programas ambientais e os órgãos reguladores? Escrevi para as maiores marcas, recebi silêncio como resposta, mensagens robóticas, outras até promissoras. Esperançosa, levei meus frascos de esmalte vencidos a um local recomendado para reciclagem e me deparei com a realidade. De quem é a (i)responsabilidade?

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