Um dos meus programas preferidos quando viajo é entrar nos supermercados para descobrir novidades, e, de brinde, isso me permite manter uma rotina saudável em qualquer lugar. Escolher um produto embalado é tarefa fácil pra mim. Mas como eu me viro num restaurante desconhecido, quando a comida não tem rótulo?
Foi passando perrengues que aprendi que o resultado do meu pedido será tão bom quanto for a descrição do que eu espero.
Em 2013 eu trabalhava na indústria de alimentos e estava na Alemanha fazendo testes de novos sabores de chocolates Milka. Num daqueles dias na pequena cidade de Lörrach, eu saí sozinha pra jantar perto do hotel. Logo descobri que o inglês dos garçons era tão bom quanto o meu alemão, ou seja, estávamos na estaca zero — e nem a internet funcionava.
Naquela época, estava iniciando uma “dieta nova” que envolvia consumir menos carboidratos e mais proteínas (nem sabia que se chamava low-carb). Para seguir o plano, meu desejo era simples: eu só queria uma carne com salada, ou salada com carne, que é bem diferente de uma salada de carne.
Apesar dos nossos esforços de comunicação e da boa vontade da garçonete, acabei recebendo uma montanha de salsicha fria picada e misturada com maionese, mais uns pedaços de pepino. A tal wurstsalat, que me causou enjoo e frustração, é um nome que jamais esquecerei. É o que os alemães chamam de salada de carne.
Hoje em dia, tudo é diferente. A inteligência artificial não apenas traduz os cardápios, como ajuda na interpretação do contexto. Mas algo que ela (ainda) não sabe fazer muito bem é ser fiel aos meus critérios. A seguir vou compartilhar o que considero na hora de escolher comida em restaurantes e como faço os pedidos para aumentar a chance de sucesso.



