Descobertas por Sari Fontana

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As balanças públicas de Viena e a anorexia da Imperatriz

Uma curiosidade sobre a capital de um dos países mais magros da Europa e uma reflexão sobre os padrões de beleza

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Sarita Fontana
abr 09, 2026
∙ Pago

Viena aparece consistentemente entre as cidades com melhor qualidade de vida do mundo, e é fácil entender por quê: infraestrutura, natureza, cultura e segurança contribuem para o bem-estar. O transporte público é impecável e há sempre uma ciclovia à disposição, sem esquecer das calçadas que são um convite para caminhar. De tudo que chamou a minha atenção pelas ruas, não pude deixar de notar a baixa ocorrência de obesidade — as pessoas, em geral, são magras, uma percepção que as estatísticas confirmam. Entre as mulheres europeias, a Áustria tem a segunda menor taxa de sobrepeso e obesidade combinados (34%), ficando atrás apenas da França (30%) e seguida pela Dinamarca (36%). É um dos melhores desempenhos da Europa.

Talvez por isso eu tenha ficado intrigada quando me deparei com um objeto inusitado. Espalhadas pela cidade, existem balanças analógicas em locais improváveis: nos parques, nas paradas de ônibus, entre os jardins, lá estão elas, prontas para quem quiser usar pagando apenas uma moedinha. E são muitas! Precisamente, 150 na capital e outras 250 pelo país.

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Brincando de encontrar as balanças (mas não coloquei a moeda, só fiz graça para a foto)

Eu nunca tinha ouvido falar que, nos dias de hoje, existe uma capital que tem balanças ao ar livre para pesar pessoas. Então resolvi pesquisar: como elas surgiram? Quem as mantém? Qual o contexto cultural desse fenômeno? Será que elas têm algo a ver com a história da Sissi1, a famosa Imperatriz, conhecida por sua beleza e obsessão com o peso?

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Como surgiram as balanças de Viena

As primeiras balanças públicas de Viena datam de 1887, quando foram exibidas como parte das comemorações do aniversário da ascensão ao trono do Kaiser Franz Josef, marido de Sissi. Mas elas surgiram como símbolo de progresso tecnológico, uma demonstração das conquistas industriais austríacas, não como um instrumento de saúde pública.

No século XIX, praticamente ninguém tinha balança em casa, pesar-se era um ato público, sem nenhuma carga de vergonha ou julgamento. Os equipamentos eram uma novidade e funcionavam com moedas, ficando dispostos em locais de circulação de pedestres. O modelo que sobreviveu até hoje é o Berkel, que foi fabricado pela última vez em 1978. Nos anos 1980, um casal de serralheiros comprou todas as unidades e passou a mantê-las em perfeito estado, desde então, a família Popp administra esse negócio com exclusividade, garantindo seu funcionamento.

Onde entra a Imperatriz nessa história?

Se você não está familiarizado com a história da Sissi, vou contar alguns fatos que aprendi sobre sua conturbada relação com o peso. Ela era uma das três grandes belezas reais da era vitoriana, ao lado da Imperatriz Eugénie da França e da Princesa Alexandra da Dinamarca. Vistas como referências, as mulheres copiavam seus estilos, dietas e “segredos de beleza”— caso interesse, Sissi tomava banhos de azeite de oliva tão quente, que um dia se queimou no ritual (não recomendo testar, rs).

Franz Xaver Winterhalter, Retrato da Imperatriz Elisabeth da Áustria, 1865. Kunsthistorisches Museum Wien. Domínio público.

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